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#identidade
ed. 33 | www.fleury.com.br | set./out./nov. 2015
esta revista é sua, leve e compartilhe!
juliano
salgado
O estilo particular
que faz de Pedro
Bandeira o escritor
preferido dos jovens
Iguais na aparência,
irmãos gêmeos têm
comportamento e
organismo únicos
O português que
falamos no Brasil
diz muito sobre
nosso jeito de ser
Uma personalidade
moldada por múltiplas
referências culturais e
pela história com o pai,
Sebastião Salgado
#identidade
ed. 33 | www.fleury.com.br | set./out./nov. 2015
esta revista é sua, leve e compartilhe!
juliano
salgado
Uma personalidade
moldada por múltiplas
referências culturais e
pela história com o pai,
Sebastião Salgado
O português que
falamos no Brasil
diz muito sobre
nosso jeito de ser
Iguais na aparência,
irmãos gêmeos têm
comportamento e
organismo únicos
O estilo particular
que faz de Pedro
Bandeira o escritor
preferido dos jovens
editorial
VISUALIZADOR DE
IMAGENS DE EXAMES
PELA INTERNET
Disponível para Ressonância, Tomografia, Mamografia,
Raios X e PET-CT realizados a partir de 1/12/2014.
Acesse e confira: resultados.fleury.com.br
O que nos
identifica?
O visualizador pode ser acessado via Desktop ou Tablet e é compatível com os navegadores
Chrome, Firefox, Safari e Internet Explorer a partir da versão 9.0. Para utilizar a ferramenta, é
necessário desabilitar o bloqueador de pop-ups no seu computador ou Tablet.
Um centro de referência em você
O que nos faz ser quem somos? O que nos diferencia e nos define como
indivíduo? São questões que ocupam as mentes de filósofos e de poetas
como Peter Handke, que abre o filme Asas do desejo, de Wim Wenders.
“Quando a criança era criança, era tempo para essas perguntas: por que eu
sou eu, e não você? (...) Como pode ser que eu, que sou eu, não existisse
antes de vir a ser, e que, um dia, eu, que sou eu, não vou ser mais eu?”. Com
esse poema, ele nos lembra que são questões que também nos acompanham, desde crianças, em cada minuto que existimos. “A identidade é um
processo que não tem fim”, nos diz o psicanalista Marcos Soriano.
Esta edição da Revista Fleury é uma investigação das camadas que traçam nossos contornos: nossa #identidade. Dos traços que fazem do nosso
corpo um exemplar único às complexas características socioculturais.
Se a cultura de um país é parte do que constrói nossa identidade, Juliano
Salgado se fez sem raízes e, ao mesmo tempo, com múltiplas influências.
Filho do fotógrafo Sebastião Salgado, Juliano escolheu o trabalho com o
audiovisual para ser, ele também, um cidadão do mundo.
Reconhecimento precioso é quando se identifica um artista por sua obra
e o escritor Pedro Bandeira é certamente um desses criadores que deixam
sua marca. Na seção Entre Aspas, ele nos conta suas motivações e saborosas histórias de relação estreita com seu público.
Famílias que convivem com muitos irmãos, e até mesmo gêmeos, mostram como a aparente semelhança é só isso mesmo. No dia a dia, fica claro
que não tem jeito: cada ser humano é mesmo único.
Boa leitura!
Dr. Edgar Gil Rizzatti - Responsável Técnico - CRM-SP 94.199
SAÚDE
COMPORTAMENTO
Iguais, mas nem
tanto. As diferenças
entre gêmeos,
no comportamento
e no organismo
30
LINGUAGEM
O que faz do português
falado no Brasil um
idioma tão nosso
22
ENTRE ASPAS
Como, com seus
livros, Pedro Bandeira
envolve e diverte
jovens há gerações
istock e shutterstock
Seis, oito irmãos, cada
um com seus desafios:
como vivem as famílias
com muitos filhos
26
46
34
Novidades sobre saúde, ciência e qualidade
de vida, além de serviços e exames
oferecidos aos clientes nas unidades Fleury
kriz knack
8
PARA COMEÇAR
nesta edição
IDENTIDADE
Os diversos aspectos que
definem quem somos
eduardo mattos
capa
14
Juliano Salgado: uma identidade
sem raízes construída a partir de
múltiplas culturas
38
INFOGRÁFICO
Conheça os diferentes
tipos de exames de DNA
40
MEDICINA
As características físicas
que são únicas para cada um
quem somos
EXPEDIENTE
Supervisão Editorial
Kleber Soares Filho
Thaís Arruda
William Malfatti
ed. 32 | www.fl
eury.com.br
| abr./mai./jun.
2015
2015
abr./mai./jun.
eury.com.br |
ed. 32 | www.fl
secretaria de redação
Natalia Benatti
divulgação fleury
Médico com Residência, Mestrado e
Doutorado em Obstetrícia e Ginecologia
na Faculdade de Medicina da USP. Possui
especialização em Medicina Fetal na King’s
College Hospital and School of Medicine and
Dentistry (Londres) e faz parte da equipe de
Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde.
Revisão Médica
Ana Carolina Silva Chuery
Fernanda Aimee Nobre
Marcelo Mimica
Responsável Técnico
Dr. Edgar Gil Rizzatti – CRM 94.199
Projeto Editorial
TV1 Conteúdo & Vídeo
Jornalista responsável
Gilberto Colzani MTB 15.850
Luciana Arroyo Bou Anni
Gestor de Clientes
Luís Castro
Editora
Fabiana Lopes
divulgação fleury
Graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper
Líbero e bacharel em Letras pela USP, tem 11
anos de experiência em Comunicação. Na equipe
do Grupo Fleury desde outubro de 2014, é
responsável pelo monitoramento de mídias sociais
e apoia atividades de assessoria de imprensa.
Texto
Bruna Fontes, Cíntia Marcucci, Débora Rubin, Diana
Pimentel, Maíra Termero
Revisão
Laura Folgueira
Produção
Thaiz Zerbini
Colaboraram nesta edição
Álvaro Zeni (tratamento de imagens),
Eduardo Kerges, Fabio Corazza, Vans Bumbeers
Projeto Gráfico
Monique Schenkels
Rico Lins + Studio
Diretor de criação, jornalista formado pela
UFSC, e pós-graduado em Comunicação com
o Mercado pela ESPM. Atuou em especiais da
Bandeirantes e na programação da TV Cultura.
No Grupo TV1, entre muitos projetos, coordenou
a série Gente que Faz e agora tem a missão de
dirigir a criação da TV1 Conteúdo & Vídeo.
Direção de arte
Lilian Bumbiers
edição de arte
Luiz Felipe Gualtieri Monteiro
Design gráfico
Cristiane Calegaro, Everton Augusto, Fábio Gomide,
Mônica Acatauassu, Ricardo Gonçalves
e Sergio Scattolini Amatucci
Supervisão Gráfica
Luciano Morales/Grupo Fleury
E-mail
[email protected]
setembro/outubro/novembro 2015, Número 33
Impressão
Log & Print
Maura Lima
ETO
MENNA BARR
que
banqueteira
e trabalhar da
rial
O estilo de viver grande experiência senso
uma
faz do dia a dia
01_capa_
Ed. 32
abr./mai./jun. 2015
B5_curva
s.indd 1-3
05/05/15 17:50
05/05/15
17:48
d 1-3
01_capa_A12_curvas.ind
Neka
Curti e compartilho os conselhos da
banqueteira Neka Menna Barreto para
a Revista Fleury #32 da Fleury Medicina
e Saúde, para um viver #BEMBOM
Fatima Periard, via Facebook
Delíciaaaa receber essa revista. Mais um
item maravilhoso do Fleury. Parabéns.
Neusa Kubitza, via Facebook
Já li a revista e também curto a Neka!
Gilda Ojeda Martins, via Facebook
Unidade Itaim
Nossa colaboradora Matilde dos Santos Santiago
recebeu, via Ouvidoria, a carinhosa mensagem de
Júlia Vilas Boas. A técnica de enfermagem da unidade
Villa-Lobos trabalha no Fleury há 18 anos e recebeu a cartinha uns
dias depois do atendimento. “Ela insistiu para a mãe voltar aqui
em um domingo para me trazer o desenho. Liguei de volta e disse
que tudo o que ela escreveu é o que ela é”, conta. “Eu procuro
fazer do meu espaço um lugar de diversão e é muito bom quando
o elogio vem de criança, porque é muito sincero e verdadeiro.”
Tiragem
30 mil exemplares
arquivo pessoal
laís kerry
Giba Colzani
Formada em Comunicação Social – Rádio e
TV pela Faculdade Oswaldo Cruz, tem 13 anos
de experiência em produção audiovisual. No
Grupo TV1 desde 2004, é responsável pela
gestão de fotógrafos e equipes de audiovisual
envolvidas na elaboração da Revista Fleury.
NEKA
Colaboração
Alex Fernandes, Aline Amália Lopes de Araújo
Giovannetti, Denise Lima, Edgard Arnas,
Fernando Moschini, Iassana Silvestre,
Patricia Yumi Maeda e Leonardo Chiarini De Mattos
Javier Miguelez
NEKA
MENNA BA
RRETO
O estilo de
viver
do dia a dia e trabalhar da banq
uma gran
de experiêncueteira que faz
ia sensorial
vans bumbeers
Conheça alguns integrantes da equipe que colaborou com
texto, fotografia, arte, ilustração, infografia e conhecimento
técnico para esta edição da Revista Fleury.
sua opinião
Capas
Foto: Eduardo Mattos
Ilustração: Fábio Gomide e Lilian Bumbiers
facebook.com/FleuryMedicinaeSaude
youtube.com/FleuryMedicinaeSaude
twitter.com/fleury_online
Queremos estabelecer um relacionamento com você. Saber
o que pensa, entender suas expectativas em relação ao conteúdo
desta revista e receber sugestões para que possamos ir além
do esperado. Escreva para [email protected]
Estamos prontos para ouvir o que você tem a nos dizer.
para começar
fleury e a cidade:
Para cuidar bem
Unidade Jardim Sul ganha mais conforto
e agilidade no atendimento
Conheça alguns exames e serviços que o Fleury
disponibiliza para auxiliar médicos e gestantes
A unidade abre de segunda
a sexta, de 6h30 às 18h30, de
sábado, de 6h30 às 15h30, e aos
domingos, entre 6h30 e 12h30.
Mais informações:
www.fleury.com.br/unidades
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Anatomia Patológica
Cardiotocografia
Colpocitologia Oncótica
Colposcopia
Densitometria Óssea
Ecocardiograma
Eletrocardiograma
Exames Laboratoriais
Mamografia Digital
Medicina Fetal
Provas Funcionais
Triagem Neonatal
Ampliada
• Ultrassonografia
• Vulvoscopia
divulgação fleury
serviços disponíveis
Consultoria médica
Síndrome de Down
Muitas vezes resultados de exames
complexos, como o de DNA fetal,
de translucência nucal e resultados
de sorologias geram dúvidas nas
gestantes: o que o laudo significa?
Preciso fazer outros exames para
confirmar o diagnóstico? Quais os
melhores procedimentos agora?
Para auxiliar tanto médicos quanto
as pacientes, o Fleury oferece um
serviço de consultoria médica.
“A paciente pode conversar
com os profissionais da nossa
equipe de Medicina Fetal e tirar
as dúvidas que tiver”, explica Dr.
Mário Burlacchini, ginecologista e
obstetra, coordenador de Medicina
Fetal do Fleury.
Com apenas uma amostra
de sangue, é possível
avaliar com 99% de
acurácia as possibilidades
da trissomia do
cromossomo 21, que
causa a Síndrome de
Down, já a partir da 10ª
semana de gravidez tanto
para gestações únicas
quanto gemelares de
dois fetos. Isso é possível
pelo exame não invasivo
Harmony, oferecido
pelo Fleury para avaliar
gestações simples ou
gemelares no espaço
Gestar da Unidade Paraíso.
carcinoma
de pulmão
O teste, realizado em
fragmentos de biópsia
de carcinoma de pulmão,
conhecido como fator de
crescimento epidérmico
(EGFR), ajuda a detectar
as possibilidades de
uma pessoa responder
bem a determinados
tratamentos. Oferecido
pelo Fleury sob a sigla
EGFR, o exame tem
sido cada vez mais
utilizado para auxiliar o
tratamento de pacientes
com casos de câncer
de pulmão.
Tem Fleury na
Granja Viana!
Localizada no município de Cotia, na rua
José Felix Oliveira, 838, a Unidade Granja
Viana do Fleury é uma excelente opção de
atendimento para quem mora ou trabalha
na região da Rodovia Raposo Tavares. Além
de exames laboratoriais, a unidade também
conta com serviços como Densitometria
Óssea, Eletrocardiograma, Mapa,
Holter, Mamografia Digital, Medicina
Fetal, Triagem Neonatal Ampliada,
Ultrassonografia e Vulvoscopia.
A unidade abre de segunda a
sábado, das 6h30 às 12h30.
Mais informações:
www.fleury.com.br/unidades
Saiba mais sobre nossos exames e conheça
as unidades em que eles são oferecidos em
http://www.fleury.com.br/exames-e-servicos
ou use um leitor de QR Code no símbolo ao lado
divulgação fleury
Desde o fim de julho, a
unidade localizada no
Shopping Jardim Sul, na
Avenida Giovanni Gronchi,
está de casa e cara nova.
Agora, o Fleury fica no piso 1,
na loja 206 A, em um espaço
que oferece mais conforto
e agilidade tanto na espera
quanto na realização dos
exames. É uma ótima opção
para quem mora ou trabalha
na Zona Sul, com todos os
confortos de um shopping,
como estacionamento, lojas
de conveniência, alimentação
e ainda a possibilidade de
fazer um passeio antes ou
depois dos exames.
Direto na tela
Clientes e médicos podem acessar as imagens de importantes
exames pelo computador. Saiba mais sobre esta facilidade
divulgação fleury
fotos: flavio santana
para começar
Resultados
rápidos na
Vila da Saúde
Você já conhece os serviços pediátricos da
Vila da Saúde? Essa área especial é destinada ao
atendimento de crianças até 12 anos e oferece a
possibilidade de entrega de diversos resultados
em prazos muito mais rápidos dos que os do
atendimento comum.
Às vezes, tão difícil quanto estar com um
filho doente em casa é lidar com a ansiedade de
descobrir o que ele tem e como fazer o tratamento.
Muitas vezes são necessários exames de sangue
e de imagem para fechar um diagnóstico e, para
ter resultado rápido, os pais acabam recorrendo
ao pronto-socorro de algum hospital, passando
novamente em consulta para realizar um exame
que já tem pedido médico. “Na Vila da Saúde,
diversos exames de sangue, urina, ultrassom e raios
X, quando solicitados com urgência, ficam prontos
em quatro horas, e se o médico solicitante quiser, o
pediatra do Fleury pode passar os resultados para
ele assim que ficarem prontos”, explica Dra. Márcia
Wehba Esteves Cavichio, pediatra do Fleury.
Além da rapidez na entrega dos exames, o
ambiente da Vila da Saúde é totalmente preparado
para as crianças, com os personagens da Vila
Sésamo - que ajudam a tornar a experiência
dos exames mais tranquila e confortável – e
profissionais treinados para atendimento ao
público infantil. O cardápio dos lanches também é
especialmente preparado para os pequenos. A Vila
da Saúde está presente nas unidades República
do Líbano I, Paraíso, Alphaville, Braz Leme e
Rochaverá-Morumbi.
No dia a dia de quem precisa fazer
exames que envolvem imagens, é
sempre um trabalho a mais buscar
os resultados para levá-los no
retorno da consulta médica ou
mesmo solicitar a entrega em casa
ou no consultório. Desde o final do
ano passado, com o visualizador de
imagens de exames disponível no
site Fleury, é possível consultar de
maneira online importantes exames
como Ressonância Magnética,
Tomografia Computadorizada,
Mamografia, Raios X e PET-CT.
“O visualizador é uma ferramenta
muito importante para médicos
e pacientes, pois permite o
armazenamento online do histórico
de imagens, com economia de
espaço físico e digital para esses
públicos. Além disso, no médio
e longo prazos, haverá ganhos
significativos do ponto de vista de
sustentabilidade, pela redução no
consumo de CDs, filme e papel”,
explica Dr. Rogério Caldana, gerente
médico do Fleury.
Estão disponíveis no site as imagens
dos exames citados anteriormente e
realizados desde 1 de dezembro de
2014. Para visualizá-los,
basta acessar a área de resultados
do site Fleury e clicar no ícone
“Imagens” de um desses exames.
Ao fazer isso, clientes e médicos
serão redirecionados para um
novo ambiente.
O visualizador de imagens pode ser
acessado via Desktop ou Tablet e
é compatível com os navegadores
Chrome, Firefox, Safari e Internet
Explorer a partir da versão 9.0. Para
utilizar a ferramenta, é necessário
desabilitar o bloqueador de popups no seu computador ou Tablet.
Você sabia que, desde maio, o Fleury tem uma unidade exclusiva para
mulheres? O novo espaço, localizado no número 561 e batizado de
República do Líbano II, conta com um núcleo dedicado ao atendimento
feminino, o Centro Diagnóstico Avançado da Mulher. Nele, as clientes
podem fazer exames, inclusive os mais complexos, em sequência,
com os mais modernos equipamentos disponíveis no mercado
para começar
Escolha consciente
A maquiagem que tem a sua cara
Pediu para parar,
parou!
Maquiagem convencional
• Não leva conservantes sintéticos, fragrâncias
artificiais, parabenos, óleos e talcos, portanto,
é hipoalergênica, ideal para quem tem peles
sensíveis, com rosácea ou dermatites de contato.
• Tem textura leve, adapta-se
bem a peles oleosas.
• Pode não ter uma cobertura ideal
para manchas de pele mais fortes.
• Tem fixação menor.
• Tem menor prazo de validade.
• Pode ter conservantes, fragrâncias
e outros componentes que
provoquem reações e alergias.
• Por conter conservantes e outros
pigmentos, em geral tem melhor
cobertura se for de boa qualidade.
• Tem melhor fixação
e por mais tempo.
• Tem maior prazo de validade.
X
istock
Maquiagem mineral
ilustração: fabio corazza
Já faz algum tempo que os chamados produtos minerais chegaram ao nosso mercado de cosméticos e
maquiagem. Segundo os fabricantes, eles são ricos em matéria-prima mineral, mais natural e que provoca
menos alergias. De acordo com a dermatologista Ana Elisa Brito, de São Paulo, a chamada maquiagem mineral
costuma ser livre de fragrâncias artificiais, conservantes sintéticos, parabenos, óleos e talcos. “Isso faz com
que sejam maquiagens hipoalergênicas”, explica. Veja as principais diferenças entre elas e as tradicionais
existentes no mercado.
No treino da academia, a regra é sempre fazer
as séries de exercícios intercaladas com um
período de descanso. Quem pratica outros
esportes, mesmo para competição, também
sabe que é sempre preciso existir um dia
em que o corpo não se esforce.
Mas, afinal, para que servem essas pausas?
“O nosso corpo precisa de tempo para
responder ao estímulo dos exercícios, e só
assimila as mudanças durante as pausas”,
explica o professor de educação física
Beto Carnevale, da assessoria esportiva
Time to Run.
Esse tempo de pausa varia de acordo com
o resultado que se quer obter: aumento de
massa muscular pede intervalos curtos entre
as séries, mas uma pausa de 24 a 48 horas é
ideal para que o corpo incorpore o exercício.
É que depois do “estresse”, o corpo produz
mais proteínas e precisa de descanso para
que elas se transformem em músculos. Para
ganhar força e potência, são necessários
intervalos maiores entre as séries e os treinos.
Já para adquirir resistência, pode até não
haver intervalos. Tudo deve ser avaliado pelo
seu orientador físico e seguido à risca para
os resultados serem os melhores.
sem
raízes
Uma conversa com Juliano Salgado,
filho do fotógrafo Sebastião Salgado
por Maíra Termero fotos eduardo mattos
“Cada um desenvolve sua forma de ver de acordo com
sua história”, diz Sebastião Salgado, em O sal da terra.
O filme, indicado ao Oscar 2015 de Melhor Documentário, traz a obra e a trajetória do fotógrafo pelo olhar
de seu filho, Juliano Salgado, em colaboração com o
diretor alemão Wim Wenders. Mais do que o registro
de uma trajetória, porém, a obra foi a chave da reaproximação entre pai e filho. Foi a partir da mudança do
olhar sobre o pai, suas longas ausências e, ao mesmo
tempo, forte presença, que conversamos com Juliano Salgado, em uma reflexão sobre de que forma sua
história moldou seu olhar, como artista, e também a
construção de sua identidade.
Quando estou na França,
acho que sou um francês,
só que com uma série
de comportamentos
estranhos para eles.
Temos outro jeito
de nos relacionar.”
Você nasceu e cresceu na França, onde seus pais se exilaram nos anos 1960, e hoje vive em Berlim. Como sua
identidade foi afetada por essas referências cruzadas de
diferentes culturas?
Isso afetou bastante a minha história, na verdade. Cresci com
duas culturas. Meus pais, os dois brasileiros, falavam o português em casa. Na época, não podiam voltar ao Brasil – no
início, eles tiveram medo e foram embora; depois o governo
brasileiro tirou o passaporte deles; e então eles acabaram
ficando na França. Para ser um fotógrafo ou jornalista, que
viajava o mundo, que era freelancer, você precisava estar em
Nova York ou em Paris, que eram os dois centros de onde
chegavam as informações. Então eu cresci na França, sempre com a consciência muito grande de que eu era brasileiro.
Meu referencial cultural é todo francês. Quando estou na
França, acho que sou um francês. Eu falo o francês muito
bem, sem sotaque. Não dá para notar a diferença. Só que
com uma série de comportamentos estranhos para eles. Eu
me comporto de um jeito que, muitas vezes, eles não entendem. São coisas finas, emocionais. Temos outro jeito de
nos relacionar. A maneira de amar é diferente. Parece pouco,
mas existe uma diferença muito grande. Já no Brasil, é muito
claro nos primeiros meses que eu sou de fora.
A brasilidade vem de casa, então? Como era o contato com
a família aqui no Brasil?
Eu fui ao Brasil pela primeira vez quando tinha quatro anos
e passei seis meses. Na época, viajar era muito difícil. O contato era com meus pais e com os amigos deles, exilados.
Tinha bastante brasileiro em Paris na época. E nós fazíamos
as festas juninas, todas essas festas importantes, nossas. E,
na França, eu tirava onda com meus amiguinhos, porque minha bisavó era índia. No Brasil, as pessoas tentam esconder,
mas na França isso é o máximo. Então eu contava que era
descendente de índios e as pessoas achavam superinteressante. Eu tinha muito orgulho dessas origens e do fato de
que realmente tinha alguma coisa diferente. Então, sim, isso
sempre esteve presente na minha construção de identidade.
Meu nome e sobrenome são brasileiros. E na França isso era
muito positivo. Chegou muita música dos anos 1970 lá, toda
a MPB da época. O futebol. E eu tinha muito orgulho.
A qual lugar você sente que pertence? Ou carrega sempre
um olhar estrangeiro por onde vai?
Não sei se é um olhar estrangeiro. Eu não tenho muita raiz.
Tenho a impressão de que posso viver do mesmo jeito em
lugares diferentes. Hoje vivo em Berlim. Claro que, quando
vou para Paris, onde cresci, fico feliz. Mas não sinto saudade. Não tenho raízes fortes em lugar nenhum. A cidade
onde eu moro é onde minha namorada está, onde tenho
meu computador, posso trabalhar, ter contato com todo
mundo. Com isso, eu posso estar em qualquer lugar.
Como foi a relação com Sebastião Salgado na sua infância?
Ele viajava muito. Quando voltava, vinha sempre cheio de
histórias para contar. Essas histórias estão no filme. Muitas coisas são impressões das pessoas que ele encontrou,
situações difíceis e coisas que ele aprendeu de tudo isso.
Ele contava de um jeito muito envolvente. O Tião é um cara
muito carismático. Ele tem uma capacidade de abstração
muito grande. Então, quando conta as histórias ele se projeta, viaja, lembra das coisas. Eu cresci assim.
Não era um relato só de aventuras e belezas das viagens,
mas também de dificuldades?
Ele se conecta muito com as pessoas com quem ele trabalha. Ele faz amizades. Ele viaja se integrando e confiando
nas pessoas que ele encontra. Essa relação de confiança é
dupla. As pessoas confiam que a imagem, a história que ele
traz para fora, vai ser respeitosa. E ele fez isso muito bem.
Ele confia nas pessoas que vão protegê-lo e levar para os
lugares mais próximos dos locais onde rolam as crises. Ele
é jornalista, então tinha de ir para lugares onde aconteciam
eventos importantes. E era tudo isso que ele trazia: coisas
que tinham acontecido e coisas que ele tinha entendido do
que ele tinha visto.
plo, na viagem que ele fez ao Brasil no início nos anos 1980,
ele tinha visto essas histórias dessas crianças que são enterradas com os olhos abertos, para não se perder no limbo. As pessoas eram muito pobres e alugavam os caixões.
Então chegavam na frente da cova e o corpo era tirado do
caixão. É terrível e, ao mesmo tempo, muito bonito. Quando você é uma criancinha, é difícil de entender. Mas eu lembro que o Tião sempre encontrou as palavras para contar
essas coisas. Tive sempre a consciência de que o mundo era
um lugar onde podiam acontecer coisas bastante injustas,
mas que o Tião tinha o papel de informar essas coisas. E de
tentar, de uma forma ou outra, participar de uma mudança.
Você foi conhecendo o trabalho dele dessa maneira, então?
Sim. Ele editava as fotografias em casa, com a Lélia [Wanick
Salgado, esposa de Sebastião e mãe de Juliano]. O Tião fazia ele mesmo as tiragens de leitura. Ele e a Lélia passavam
horas, dias, no laboratório que tinha lá em casa. Em Paris,
no último andar dos prédios ficam os antigos quartos de
empregada. No sétimo andar do prédio onde a gente morava tinha o quarto onde meus pais instalaram o laboratório.
E eu ia lá também, para ficar com eles. Cresci vendo essas
fotos. Tive um contato e uma relação com essas imagens
muito cedo, na verdade. Então, do ponto de vista profissional, técnico, aprendi muito rápido ótica, como funcionava
uma lente, como funcionava a emulsão de cristais de prata,
abertura, composição, essas coisas básicas de fotografia.
Mas, sobretudo, o olhar para o mundo. Minha casa era muito aberta para o mundo, de fato. E o Tião às vezes tinha de
explicar as fotografias, algumas bastante duras. Por exem-
Quando você passou a acompanhá-lo nas viagens?
Na minha adolescência, a gente era um pouquinho distante,
e minha mãe insistiu para que o meu pai me levasse com
ele. Com 14 anos, ele me trouxe para uma reportagem debaixo do túnel que estavam construindo entre a França e a
Inglaterra. Era uma viagem muito incrível. Parecia que você
estava num set de filmagem de Guerra nas estrelas. No ano
seguinte, à Índia. Uma viagem louca para o local de construção do canal do Rajastão. É um canal imenso que vai irrigando o deserto. Do alto, você tem a impressão de ver uma
veia azul, escura, abrindo em veias menores capilares, que
estão irrigando esse deserto, com coisas verdes crescendo
em volta. É muito lindo. No ano seguinte, Ruanda. Foram
viagens incríveis, aventureiras, superinteressantes. Eu vi
como ele se relacionava com as pessoas e aprendi muito.
Depois, quando comecei a trabalhar como documentarista,
eu já sabia como viajar.
O Tião é um cara muito carismático.
Ele tem uma capacidade de abstração
muito grande. Então, quando conta as
histórias ele se projeta, viaja, lembra
das coisas. Eu cresci assim.”
18
Como foi viver essa relação a partir do seu filme?
Quando comecei a filmar, eu tinha 35 anos. Já fazia 20 que
a gente tinha viajado juntos pela última vez. Havia bastante distância entre mim e o Tião. E foi uma oportunidade da
gente se aproximar. Eu não achava que ia acontecer. Só que
aconteceu, meio que por acaso. Fomos fazer uma reportagem no território dos índios Zo’é, no Pará, que vivem de
forma preservada e isolada pela Funai. Eu não queria ir, porque tinha medo da gente brigar. Mas ele insistiu muito, ia ser
uma coisa interessante, eu fui. E levei uma câmera, porque
é o que eu faço há um tempão. E filmei o Tião trabalhando
no Gênesis, que era para ser o último grande projeto dele.
Voltando a Paris, editei essas imagens. E aí aconteceu uma
coisa muito legal, muito importante pra gente. Quando ele
viu as imagens, ele se viu através do meu próprio olhar. Porque é isso, quando você filma alguém, você está revelando
muito do seu olhar, das suas emoções. E ele se emocionou
muito de ver como o filho dele olhava para ele. Então rolou
um momento muito intenso entre a gente. Mesmo sem uma
comunicação muito grande, deu para ver que alguma coisa
estava mudando. E eu resolvi continuar a viajar com ele, para
ver se isso continuava acontecendo. Vi que o importante não
eram as viagens, nem as fotografias, mas as histórias que ele
vinha contando desde sempre, essa experiência muito rara,
única, da humanidade.
Como foi sua decisão de trabalhar com o audiovisual,
com a imagem em movimento?
Meu filho nasceu quando eu tinha 22 anos, e eu tinha de
encontrar um trabalho. Na época, eu estudava Direito e
Economia, e era muito envolvido com política estudantil.
Mas eu me imaginava muito mal nessas vidas que estava
preparando para mim. E havia essa vida do Tião, uma vida
de aventura, de estar em contato com pessoas de fora, de
crescer no contato com essas relações, além de ter um
papel muito político, de estar na mediação entre eventos
importantes e o público. Isso me motivou para começar.
Como a estrutura em torno do Tião era muito grande, eu
me senti mais seguro na imagem em movimento.
Como foi a construção da sua linguagem dentro do audiovisual? O que move suas decisões do que e como filmar?
Eu gosto da subjetividade. O mais importante no cinema é
a capacidade de fazer as pessoas se projetarem dentro de
um personagem de ficção que está na tela . Pode até ser um
cara que existe em outro lugar, mas o que está na tela não é a
pessoa: é uma projeção da pessoa, uma ficção. Dentro dessa
coisa que não existe, tem essa projeção de emoções, essa
subjetividade. Conseguir isso é muito difícil. E a linguagem
do cinema é o que tem de mais poderoso nessas expressões.
Tem muita gente que não tenta ser subjetivo, que fica de fora,
que tenta ser uma terceira pessoa. Eu acho que é um erro.
Você perde o que o cinema tem de mais poderoso.
E como o Wim Wenders entrou no projeto?
Eu precisava trazer outra pessoa para entrevistar. O Wim
queria fazer alguma coisa com o Tião, mas não sabia o que
nem como. Ter o Tião contando essas histórias para uma
outra pessoa me deu a distância suficiente para escutar de
um jeito diferente. Ver o Tião através do olhar do Wim foi
uma revelação. E isso sarou a nossa relação.
Como a sua linguagem, no cinema, se aproxima e se distancia da do seu pai, na fotografia?
São linguagens muito diferentes, na verdade. São imagens.
Mas pelo fato da imagem no cinema ser em movimento,
você não associa com símbolos. O tempo da imagem é diferente. Você tem de segurar a sua câmera por muito tempo
para ter um plano. Então isso já modifica muito o que está
acontecendo. A fotografia é uma coisa muito instantânea.
As pessoas não têm tempo de entrar no controle da imagem delas. No cinema, você não está expondo símbolos,
você está expondo subjetividade.
20
Porque é isso, quando
você filma alguém,
você está revelando
muito do seu olhar,
das suas emoções. E ele
se emocionou muito de
ver como o filho dele
olhava para ele.”
ser
O que nos faz
o que somos
A identidade é o que ajuda a
definir nossa cara e nosso
jeito de ser no mundo
fotos: istock e shutterstock
por Débora Rubin
22
Apresento-lhes Ana: ela é corintiana, gosta de comer pastel de feira, ouve
música eletrônica, é estagiária em um escritório de advocacia, terminará a
faculdade ano que vem e, logo depois, pretende fazer uma viagem pelos
Estados Unidos – seu sonho sempre foi conhecer a Disney, mas a condição financeira de sua família nunca permitiu que ela saísse do Brasil. Ana é
alta, loira, magra e detesta seu nariz sobressalente. Ao ler esse perfil você
certamente já formou uma imagem, e uma série de julgamentos, sobre a
moça. Ana é só um personagem criado a partir de referências genéricas.
Mas são camadas como essas, de pequenas definições sobre nós mesmos que, sobrepostas, formam o que se chama de identidade.
“Apesar de considerar questões genéticas, a identidade não pode ser
explicada apenas fisiologicamente. A identidade é um processo que não
tem fim, um constante reconhecimento de características familiares e
socioculturais”, define o psicanalista Marcos Inhauser Soriano, editor da
Revista Vórtice de Psicanálise. Portanto, não nascemos com a identidade
pronta, mas com muitas identificações que vão se consolidando ou se
alterando ao longo da vida. Christian Dunker, professor titular do Instituto de Psicologia da USP, diz que a identidade pode se dividir em três
grandes tipos: as que acontecem com pessoas, as que acontecem com
traços ou marcas de algo ou alguém e as que acontecem com o desejo. “Quando vemos uma criança dizer ‘quando crescer quero ser médica
como minha mãe’, há a ocorrência das três identificações: com a mãe,
com um traço representativo dessa mãe (médica) e ainda que o desejo
de crescer combina-se com o desejo profissional da mãe.”
passar por certas crises, como os complexos de desmame,
de Édipo e de intrusão, quando um irmão chega para nos tirar do lugar de ‘sua majestade, o filho único’”, diz ele. Todas
são momentos nos quais a forma como nos reconhecemos
difere da forma como os outros nos reconhecem. As crises
mais intensas, em especial em relação aos pais, chegam com
força na adolescência. “Nessa fase, o jovem passa por turbulentos conflitos identitários que envolvem desde a administração dos instintos sexuais até a luta de firmar-se na quebra
das expectativas paternas”, complementa Marcos Soriano.
Tudo pelo social
Um estudo em andamento mostra que a identidade também
mexe com o cérebro. Tiago Bortolini, biólogo especializado
em psicologia evolutiva, analisou a ressonância magnética
de 25 torcedores de times variados para descobrir se isso
nos torna predispostos a colaborar com nossos pares (Ana,
por exemplo, tenderia a ajudar mais os corintianos?). Durante a ressonância, os participantes acionavam um instrumento
que hipoteticamente acumulava dinheiro para si, para torcedores de seu time ou para gente sem time algum. Quando
Tiago mostrava a torcida do time do voluntário, a área do cérebro com maior atividade neural era justamente a envolvida
com o sentimento de pertencimento.
Pertencer a algo maior que nós, a um grupo que tem cara,
volume e faz barulho, é uma forma de identificação que
mexe de forma profunda com a gente. Muitos grupos se
unem em torno de uma identidade para reivindicar condições igualitárias e mais justas para si. Outros, simplesmente para ter uma diversão em comum, ou pela fé. Criar esse
tipo de conexão é importante para a evolução individual
e para proteção social, desde que não se substitua a identidade própria pela do outro. “Somos seres civilizatórios, portanto, gregários. Sentimo-nos seguros quando fazemos
parte de um grupo, seja ele qual for. É uma necessidade do
psiquismo humano ter um lugar e uma localização grupal”,
explica Marcos Soriano.
No entanto, o que nos faz verdadeiramente únicos é menos o ponto em comum com os outros e mais aquilo que só
as experiências individuais trazem – em especial as traumáticas, angustiantes, que se recusam a fazer parte de nossa
identidade por serem dolorosas. São o que Christian apelidou de “diferencialidades”. “Todos se perguntam sobre sua
identidade, mas muito poucos se intrigam com as ‘diferencialidades’, que, em geral, é o que nos torna interessantes.”
Não é a cara do pai
O best-seller americano Andrew Solomon passou boa parte
da sua vida se torturando por não ser o que seus pais esperavam que ele fosse: heterossexual. O escritor, com doutorado em psicologia, decidiu se debruçar sobre a história de pais
que, como os dele, se frustraram por ter um filho diferente do
esperado. O resultado é o compêndio Longe da árvore – pais,
filhos e a busca da identidade (Companhia das Letras, 2012),
onde conta a história de pais de filhos surdos, autistas, com
Síndrome de Down, anões, entre outros tantos casos que
ele classifica como “identidades horizontais”. Ao contrário da
identidade vertical – traços físicos, língua, hábitos familiares
etc., a horizontal não passa de pai para filho, mas surge de
algum traço recessivo, mutações aleatórias ou estímulos sociais e ambientais que estão fora do controle de seus criadores. Solomon conta como esses pais tiveram de se reinventar e se reajustar diante das expectativas – deles mesmos e
sociais - gerando uma crise de identidade (em muitos casos,
um luto) para seguir adiante.
Mas se, por um lado, os pais desejam tanto filhos que
sejam sua continuidade, por outro, os filhos precisam se diferenciar como forma de cortar o cordão umbilical. Esses
momentos de ruptura são as chamadas crises de identidade
ou, segundo Christian, crises narcísicas. “A identidade precisa
24
Não nascemos
com a identidade
pronta, mas
com muitas
identificações
que vão se
consolidando ou
se alterando ao
longo da vida
fotos: istock e shutterstock
A identidade é algo tão maleável que pode até se perder
por aí. Há duas situações muito características nas quais as
identificações são remanejadas: o luto e o grupo. “Quando
perdemos algo ou alguém, é um conjunto de traços que se
vai, e o todo precisa ser redimensionado para que o que sobrou possa se acomodar ao espaço formado por esse vazio”,
diz Christian, sobre a primeira. “A segunda situação é quando
colocamos uma pessoa ou objeto na posição de ideal formador de novas identificações, o que acontece frequentemente
com líderes, chefes ou mandatários”, diz.
As identificações podem nos enriquecer, quando ajudam
a nos tornar responsáveis por nossos desejos e ideais, ou ser
empobrecedoras. Nesse caso, o elo com esse líder deixa de
ser positivo e não ajuda a compor a identidade, mas a anulá-la: renuncia-se a pensar e desejar por si próprio e passa-se
apenas a obedecer ao outro em troca de amor deste líder.
O psicólogo lembra que sistemas totalitários, opressão contra raça e gênero e exercícios de poder institucionais estão
usualmente apoiados por identificações deste tipo.
istock
todos os sotaques
A maneira como
falamos também diz
muito sobre quem
somos. O português
falado no Brasil
e suas inúmeras
variações regionais
têm tudo a ver com
a nossa identidade
por Bruna Fontes
Basta um minuto de conversa para descobrirmos de onde
vem a pessoa com quem estamos falando. Nem sempre
nosso interlocutor precisa dizer em que cidade nasceu: seu
sotaque já entrega se é do interior, do litoral, do Norte ou do
Sul do país. “A língua é o principal elemento da identidade
cultural de um povo”, explica Manoel Mourivaldo Santiago
Almeida, professor associado da Universidade de São Paulo
e pesquisador da história do nosso idioma.
Apesar de falarmos o mesmo português, cada região
criou um jeito diferente de se expressar e, a partir disso,
começou a se diferenciar das outras. Quando ouve algo
espantoso, um gaúcho responde com um “bah” – teoricamente uma redução de “que barbaridade” –, enquanto um
mineiro vai logo soltar um “nó”, querendo dizer “nossa!”. A
influência dos colonizadores portugueses deixou um “s”
chiado na fala de quem mora no litoral, enquanto a convivência com os imigrantes italianos faz alguns paulistanos
abandonarem o “s” no plural das palavras. “Nenhum idioma
é um bloco uniforme, e sim um reflexo da história do povo
que o fala”, diz Suzana Alice Marcelino da Silva Cardoso, diretora do projeto do Atlas Linguístico do Brasil e professora
associada da Universidade Federal da Bahia.
Uma
história
para
O “r” caipira
Curiosamente,
nasceu na capital
paulista. O contato
dos índios da região
com os portugueses
fez surgir o sotaque,
que se espalhou
para o interior do
estado, para Minas
Gerais e para a região
Centro-Oeste com
a expansão dos
bandeirantes.
Quando os portugueses chegaram por aqui, já havia uma
língua predominante, o tupi, falada pela maioria das tribos
indígenas locais. Conforme os jesuítas e bandeirantes tentavam se entender com os índios, nascia um idioma com
um toque bem brasileiro. Nossa criação mais original foi o
“r” caipira, bem forte, que se fala encolhendo a língua na
hora de dizer “porta”. Ele não é ouvido em Portugal nem
fazia parte do tupi falado pelos povos indígenas que habitavam nosso litoral. Esse fonema, chamado de “r retroflexo”,
nasceu da mistura entre o português e o tupi na convivência
entre os portugueses e os índios de São Paulo de Piratininga (naquela época, a capital paulista tinha esse sobrenome
tupi, que significa “peixe seco”).
Conforme os bandeirantes saíram de São Paulo e foram
avançando pelo interior do país nos séculos 16 e 17, levaram
o “r” caipira para Minas Gerais, para o Centro-Oeste, para o
Paraná e até para Sergipe, provavelmente por meio dos que
se aventuraram pelo rio São Francisco. “O sotaque caipira, na
verdade, nasceu na capital”, afirma Santiago. “Mas o paulistano perdeu essa pronúncia porque mais tarde recebeu outras
influências, como a dos italianos e a dos norte-americanos.”
Pouco restou do tupi, hoje considerado uma língua morta, mas ele é a fonte de palavras tipicamente brasileiras,
como jacaré, mirim e pipoca, e de muitos nomes dados a
lugares, como Pará (rio grande), Itaipu (rio ruidoso de pedras) e Curitiba (grupo de pinheiros). “Nos primeiros anos da
colonização, a penetração pelo país tinha muito a ver com
os caminhos sugeridos pelos indígenas. Por isso há tanta
influência nos nomes de lugares e também de comidas,
como mandioca e beiju”, diz Cardoso.
O tupi foi parar até no dicionário francês. Depois de ocupar o Rio de Janeiro por duas décadas (entre 1555 e 1575), os
franceses incorporaram oficialmente vocábulos tupiniquins
como manioc (mandioca), acajou (caju) e jaguar (onça).
Tamanha influência indígena acabou por irritar a metrópole, a ponto de o uso da língua portuguesa ser imposto no
Brasil, o que aconteceu em 1758, por um decreto do Marquês
de Pombal, então governante de Portugal e de suas colônias.
Mas isso não significou, porém, que passamos a falar
a mesma língua aqui e lá. “Em 1826, o Visconde de Pedra
Branca já apontava diferenças nas palavras usadas no Brasil
e em Portugal para descrever o mesmo objeto”, aponta Suzana, referindo-se ao mais antigo registro conhecido sobre
a diferenciação das duas línguas.
O Visconde, que viveu em Salvador, mencionou em sua
obra várias palavras criadas pelos baianos que eram completamente desconhecidas pelos portugueses, como “cangote”,
“capeta”, “farofa” e “mideixe” (me deixe). Ele também listou
alguns verbetes típicos da Bahia e inspirados no banto, idioma de origem africana, como “caçula”, “batuque” e “quindim”.
Ainda hoje, o português que falamos no Brasil é bem diferente do que se ouve na Europa e em outros países que
também foram colonizados por Portugal. Enquanto no exterior se fala de maneira mais rápida, comendo algumas
letras e sílabas, por aqui ainda se conversa em um idioma
parecido com aquele que nossos colonizadores usavam no
século 16, mais pausado e pronunciando todas as sílabas.
“Quem fala devagar, agora, somos nós. Nosso português
manteve as características daquela época, enquanto o europeu mudou de ritmo”, afirma Santiago.
Bah, tchê!
O Rio Grande do
Sul era terra de
espanhóis até
os portugueses
retomarem sua
posse, no final do
século 19. Seu jeito
de falar vem da
convivência com
os jesuítas e os
povos dos pampas,
vizinhos argentinos
e uruguaios.
Dois pastel
A convivência com
imigrantes da Itália
fez os paulistanos
dispensarem o
“s” do plural das
palavras. Isso
acontece porque o
italiano deriva de
uma vertente do
latim que não usa a
consoante – e sim as
letras “i” e “e” para
indicar o plural.
Uai, sei não...
Nem os mineiros
sabem a origem do
“uai”. Alguns dizem
que veio do “why”
(por que) dos ingleses
que se estabeleceram
no estado; outros,
que era uma senha (a
sigla de união, amor e
independência) usada
pelos inconfidentes
para entrar em
reuniões secretas.
“A língua é o principal elemento da
identidade cultural de um povo”,
explica Manoel Mourivaldo Santiago Almeida, professor associado da
Universidade de São Paulo e pesquisador da história do nosso idioma.
istock
28
Chiado carioca
O “s” chiado que
se fala no litoral
do país e no Rio de
Janeiro é herança
dos portugueses.
No Rio, ele ficou
mais forte com a
presença da família
real e de uma elite
que considerava
sinal de prestígio
ter o sotaque dos
membros da Corte.
cada
sotaque
ENTRE ASPAS
A literatura vai além do entretenimento e marca vidas
e gerações. O escritor e educador Pedro Bandeira
conta como, com seus livros, busca ajudar jovens
a crescer e enfrentar os desafios da vida.
por Diana Pimentel ilustração sergio scattolini amatucci
“Nós somos o que aprendemos.” Por trás do
pensamento aparentemente simples de Pedro Bandeira, está a base do que o escritor
toma como missão: mais do que entreter, ele
busca formar e educar por meio da literatura.
É seu desafio ajudar a criança em seu processo de desenvolvimento, para que ela se
torne um adulto maduro, capaz de lidar com
a severidade que a vida por vezes impõe.
É uma tarefa nobre, conduzida por um autor
que tem um alcance raro e duradouro no público juvenil – entre seus leitores, estão hoje
adultos que aprenderam a gostar de literatura com seus livros. Em 32 anos de carreira, Pedro Bandeira já vendeu 30 milhões de
exemplares e desde a década de 1980 cativa
os leitores com suas histórias.
Como as questões intrínsecas ao psicológico humano não
mudam com o passar do tempo, Bandeira permanece atual.
Suas obras, a maioria lançada nos anos 1980, estão em destaque nas grandes livrarias e o volume de venda é superior ao
de décadas passadas. Dúvidas e ansiedades como a de Miguel, líder dos Karas, quanto a estar de fato preparado para
assumir responsabilidades no comando do grupo de amigos
da escola, ou de Isabel, a garota inteligente e desprovida de
beleza que sofria por um amor não correspondido, fazem
parte do cotidiano de qualquer jovem na fase da adolescência.
Quando a literatura de fato alcança o público dessa forma, nem a tecnologia passa a representar algum tipo de
ameaça ou competição. Jogos, efeitos visuais, narrativas
em vídeos e imagens não chegaram para afastar os jovens
e adultos das obras impressas, na visão do escritor. “Não, a
tecnologia só vem para ajudar.” E mais, acrescenta Bandeira:
ela é democrática, pois torna a informação barata e acessível. “Você precisa, além de se comunicar pela internet, ir ao
cinema, ao teatro, jogar futebol e também ler um livro. Tem
lugar para tudo. Não devemos ser reacionários em relação
às novas tecnologias. Isso que está acontecendo é tão importante quanto a descoberta do fogo”, avalia.
Além de facilitar o acesso a livros e a outros tipos variados de informações, as novas tecnologias também aproximam o escritor de seu público. Nas redes sociais, crianças
e adolescentes postam vídeos em que recitam trechos dos
livros de Bandeira e mandam recados diretamente para o
autor, que está sempre atento a seus fãs. “Esse retorno do
público é importante e me estimulou ao longo dos anos.
Antes eram cartas, agora são e-mails. Sem ele, talvez eu
tivesse desistido e procurado fazer outras coisas”, comenta.
E foi exatamente no contato próximo com seu público
que Bandeira vivenciou momentos emocionantes e gratificantes na sua vida profissional. Certa vez, lembra o escritor,
ocorreu algo “fabuloso”. Uma leitora, que desde menina lhe
escrevia, passou a contar em suas correspondências que
havia conhecido um rapaz. Um dia, chegou uma carta em
que ela lhe confidenciava sua primeira experiência sexual. “Aposto que ela não falou para os pais dela. Ela confiou
em mim. Ela tinha de falar para alguém e esse alguém era
aquela pessoa distante que sempre a acolheu”, relembra.
Outra leitora, que se tornou advogada e posteriormente
juíza, escreveu uma carta contando que toda vez que estava
diante de um processo difícil, pensava: “como um Kara agiria numa hora dessa?”. “É muito, não é? Imagina como eu
arrepiei ao ler isso”, conta Bandeira. “A ética dos Karas que
pus nos meus livros vive dentro de uma juíza de direito. Eu
a ajudei a se formar e isso para mim é mais que um Prêmio
Nobel. Vale a pena morrer depois dessa”, descreve.
Das histórias tocantes às engraçadas e curiosas, como a
de um garoto que pediu ao escritor que comprasse e enviasse para a casa dele uma bicicleta vermelha, ou a de uma
carta mandada de dentro do presídio de segurança máxima de Avaré, Pedro Bandeira segue presente no imaginário e no cotidiano dos leitores. A eles, já dedicou muitos dos
seus livros e acolheu como grandes amigos, recebendo deles mensagens, convites de casamentos e fotos de família.
Nas instituições de ensino onde participa de conferências,
Bandeira encontra profissionais que já foram seus leitores
passando os ensinamentos recebidos na juventude, muitos
assimilados com a ajuda de suas obras. “Chego às palestras
e encontro as jovens professorinhas e todas já me leram.”
Pedro Bandeira é o
autor de literatura
juvenil que mais vende
no Brasil. A droga da
obediência vendeu 2
milhões de exemplares
e a série Os Karas
retornou em 2014.
32
rubens romero
Nas obras para o público juvenil, como as da série Os Karas – em que um grupo de jovens se reúne secretamente
para investigar e combater criminosos – o autor entra no
universo psicológico dos adolescentes. Valores de moral e
ética fundamentais para a formação de um indivíduo estão
inseridos em tramas cheias de aventura, mistério, amor e
provas de amizade. É uma combinação onde a profundidade não se descola da diversão e que tem origem em uma
união dos interesses de Pedro. Ao escrever, ele une seu fascínio pela arte à visão de pesquisador e conferencista sobre
literatura, educação e psicologia do desenvolvimento.
Para o escritor, a criança é como uma folha em branco.
Desde pequenos, recebemos estímulos daqueles que nos
cercam e vamos escrevendo em nós mesmos as experiências vivenciadas para formarmos a nossa identidade. Quanto
mais valores forem assimilados para a construção da personalidade, mais maduros e preparados estaremos para lidar
com os desafios do cotidiano. E, para isso, a literatura entra
como grande aliada, pois apresenta situações que provocam angústia e tristeza, mas que são sentidas a distância,
através dos personagens. “A maior parte das coisas que você
sabe, você não viveu na própria pele. Que bom! Senão você
enlouqueceria”, reflete o autor. “A criança tem de chegar à
idade adulta tendo vivido através da arte muita coisa que ela
jamais presenciaria em vida. Assim, poderá ser um adulto
mais seguro emocionalmente e mais bem preparado para
enfrentar a realidade, que não é fácil.”
grandes
famílias
As
por Cíntia Marcucci
No início dos anos 1980, quando ainda era
adolescente, a advogada Andrea Biselli
ficava fascinada com a numerosa família
italiana do namorado. Antônio, com quem
ela se casou aos 22, tinha oito irmãos. Na
ocasião, ela ainda não sabia que também
realizaria o sonho de ter uma grande família. Logo na volta de sua lua de mel, Andrea
descobriu que estava grávida daquele que
seria o primeiro de oito filhos do casal.
Mateus, hoje com 24 anos, nasceu
quando Andrea estava no quinto ano da
faculdade. Logo depois, vieram Tobias,
22, Regina, 20, e Lourenço, 18. “Antes dos
30 eu já era mãe de quatro filhos, mas a
Regina me pedia uma irmã”, conta Andrea. Quando tentava ter o quinto bebê,
a advogada descobriu o hipotireoidismo.
A disfunção fazia com que seus partos, mesmo de gestações saudáveis, se
adiantassem. Além disso, com a idade
avançada, ela poderia enfrentar outras
complicações em uma futura gravidez.
Com o problema controlado, veio Lavínia, hoje com 12
anos. E então chegaram mais três irmãos: Verônica, 10,
Gregório, 8, e Isadora, 5. Cada um com sua história, seis
partos normais e duas cesáreas, ambas por conta da circular de cordão – quando o cordão umbilical fica em volta
do pescoço do bebê. São histórias que fizeram de Andrea
uma mãe que aprendeu a se dividir, a se doar de maneiras
diferentes e a aprender com cada filho uma coisa especial.
“Todo mundo quer saber as diferenças do primeiro para
o último filho. E sempre digo que uma coisa ficou muito nítida para mim: há a maternidade antes dos 30 e a depois dos
35”, conta a advogada. Com os primeiros quatro filhos, ela
conta que tinha muito mais disposição física, mas menos
paciência. “Nos quatro últimos, o pique já não era o mesmo.
Não dou mais conta de ir em tantas festinhas, delego para
os irmãos, para a babá. Mas tenho muito mais serenidade.
Os mais velhos até dão uma reclamadinha que na ‘época
deles não era assim’”, se diverte.
arquivo pessoal
Vários irmãos, idades diferentes,
desafios diversos. As mães com muitos
filhos têm muita história para contar
Da esquerda para a direita, sentados:
Mateus, Andrea, Antonio e Verônica;
no colo: Lavínia, Isadora e Gregório;
em pé: Lourenço, Tobias e Regina
“Todo mundo quer
saber as diferenças do
primeiro para o último
filho. E sempre digo
que uma delas ficou
muito nítida para mim:
a maternidade
antes dos 30 e
depois dos 35”
Andrea Biselli, 47 anos
34
O sentimento é o mesmo de Adriana Simões, de 47 anos,
também advogada e amiga de Andrea. “Quando jovens, temos naturalmente uma certa insegurança. Mas nosso corpo
dá conta de tudo, mesmo com o choque que é aprender a
ter poucas horas de sono. Hoje, por conta da maturidade, eu
já tiro de letra isso de ficar acordada, inclusive com os mais
velhos, que vão para a balada. Eles chegam, avisam e eu já
sei voltar a dormir sem crise”, conta ela, que é mãe de seis
filhos: Juliana, 24, Rodrigo, 22, Rafael, 21, Daniela, 18, André,
15, e Patrícia, 8. Ela e o marido foram decidindo aos poucos
se teriam mais de dois (ou três, ou quatro) filhos, mas também tinham um pouco dessa ideia na cabeça desde cedo.
“Somos em quatro irmãos na minha casa e eu sempre gostei da dinâmica de uma família grande”, diz Adriana.
“Por conta do trabalho, agora montei
um esquema de revezamento com
vizinhos para levar a Daniela para o
cursinho e outro dia ela comentou
que sentia saudades dos
nossos ‘cinco minutos’”
Adriana Simões, 47 anos
A parceria do médico que acompanha a gestação é ainda
mais importante quando nem tudo acontece como esperado. Entre o quarto e o oitavo filho, Andrea teve três gestações que não foram até o fim. Uma delas ocorreu entre
Gregório e Isadora e ela se lembra de como a experiência
com seus outros sete filhos a levou a entender que algo estava errado ainda na sala de ultrassom. “Eu sabia pelo que
via e ouvia do exame que alguma coisa ali não estava muito bem, mesmo com o médico sendo cuidadoso e discreto
para só me comunicar depois. Se fosse uma primeira ou segunda gestação eu talvez não notasse, mas era meu sétimo
acompanhamento de gravidez”, conta Andrea. “Lembro de
ir me trocar e não conseguir sair mais do banheiro, pois não
queria ouvir o que ele tinha a me dizer. Mas ele foi me buscar e, com toda paciência e atenção, foi muito sincero, mas
também muito acolhedor. Tanto que fiz questão de que ele
me atendesse nas outras gestações que eu por ventura tivesse – e tive mesmo – dali para frente”. O médico que a
acompanhou com tamanha dedicação nessas situações tão
delicadas foi Dr. Javier Miguelez, obstetra e assessor médico
do Serviço de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde.
parceria com os médicos
Se ninguém nasce sabendo ser mãe, depois de várias experiências fica-se pelo
menos um pouquinho mais conhecedor
do assunto. “Com os primeiros bebês, a
qualquer sinal de febre eu ficava apreensiva, nervosa, ligava para o pediatra. Depois você começa a reconhecer uma otite,
uma dor de barriga, de cabeça. Já passei
por apendicite, por retirada de vesícula de
filho. Entendo que a febre alta é defesa do
organismo e consigo esperar as tais 48
horas para ver se ela baixa sem ligar pro
médico”, conta Adriana.
Andrea concorda. Depois de alguns
filhos ela já sabia que, na idade escolar,
algumas doenças são comuns. Já não se
desesperava. “Sei diferenciar uma infecção viral de uma bacteriana, não ligo mais
toda hora. Nos últimos filhos, quando
chegava à consulta de rotina, eu já não tinha dúvidas e quase ouvia do médico: ok,
então para que mesmo que você veio?”,
brinca. “Minha irmã, que tem dois filhos,
liga para mim para tirar dúvidas antes de
ligar para o pediatra dela (risos).”
arquivo pessoal
Da esquerda para a direita: Patricia,
Rafael, Adriana, André, Daniela,
Alexandre, Juliana e Rodrigo
36
Um pouquinho para cada um
Se nas questões físicas é mais fácil entender que o corpo
tem reações parecidas, a personalidade de cada filho é algo
que não dá para prever ou comparar. Tanto Andrea quanto
Adriana encontraram, em parceria com os pais, meios de dar
a cada filho momentos de “filho único”, algo que todo mundo precisa para se sentir especial. “Estipulei comigo mesma
que a cada dia um deles fica sendo meu filho da vez. É um
momento em que abro meus olhos e ouvidos para ele, programo alguma atividade, mesmo que curta, ou só um papo
com chamego no sofá”, diz Andrea.
Para Adriana – que inicialmente deixou de trabalhar para
se dedicar aos filhos, depois voltou em meio-período e
agora deve retornar em tempo integral –, era a função de
“motorista” que lhe proporcionava esses momentos especiais com cada um. “Na hora de levar na natação, buscar na
consulta com a fonoaudióloga, às vezes era só um ou outro
que estava comigo. E aproveitei muito esses preciosos minutos para conversar com eles. Por conta do trabalho, agora montei um esquema de revezamento com vizinhos para
levar a Daniela para o cursinho, mas outro dia ela comentou
que sentia saudades dos nossos ‘cinco minutos’.”
Mas farra mesmo, para as duas famílias, é juntar todo
mundo. Pode ser na hora do jantar – Adriana faz questão de
que aconteçam o máximo de dias possíveis da semana – ou
naquela festa de aniversário de alguém. Nesses momentos,
até mesmo a hora de fazer a pose para caber todo mundo
na foto já rende histórias para a vida toda.
Múltiplas
gestações
e o corpo
da mulher
Engravidar diversas vezes traz algumas tranquilidades para a mãe, que ganha mais segurança para lidar com algumas situações. “Especialmente no aleitamento, questão em que
a mulher recebe muitas cobranças”, explica Dr.
Javier Miguelez. Por outro lado, é preciso estar
atenta a todos os cuidados, ainda que a mãe já
não seja de primeira viagem. Cada gestação é
única. “Com muitas gestações, é provável que
as últimas aconteçam quando a mulher já tem
uma idade mais avançada, o que requer outros cuidados de pré-natal”, lembra Dr. Javier.
Além disso, a escolha do tipo de parto deve
ser mais cuidadosa. “A cesárea repetida diversas vezes pode deixar a placenta mais baixa
ou aderida ao útero. Além disso, as cicatrizes
feitas pelos cortes aumentam o risco de rompimento nas gestações futuras”, alerta.
infográfico
DNA
Como funciona
o exame de
Como é
um DNA,
mesmo?
a
t
Só em
novela.
O exame de paternidade pode ser usado
para identificar pais e mães, vivos ou
falecidos, e também irmãos. É necessário
que os envolvidos estejam presentes e todos
atestem a origem das amostras. É a chamada
cadeia de custódia. Além disso, testemunhas
também assinam uma documentação.
A amostra pode ser obtida com uma pequena
quantidade de sangue em um papel filtro.
a
c
g
Pegar o cabelo
de uma pessoa
para fazer o teste
de paternidade?
t
istock
c
O DNA é composto por duas
longas fitas torcidas em
espiral, a dupla hélice.
Essas duas fitas são
ligadas por pares de bases
nitrogenadas identificadas
pelas letras A (adenina),
T (timina), C (citosina)
e G (guanina).
O DNA do ser humano é
formado por 3 bilhões
de pares dessas bases.
Dentro do núcleo da célula,
esse DNA se organiza de
forma compactada em
estruturas chamadas de
cromossomos.
Todo esse conjunto
é chamado de
genoma humano.
O Fleury oferece diferentes
testes genéticos para
diagnóstico. Para cada
suspeita, há uma modalidade
mais precisa e adequada.
g
O DNA, sigla para Ácido
Desoxirribonucleico, é uma
molécula que carrega todas
as informações genética
de um ser vivo. Todo ser
vivo tem, no núcleo de cada
célula, o DNA.
Nós, humanos, temos
46 cromossomos
(recebemos 23 da mãe
e 23 do pai).
Para realizar qualquer teste genético
molecular, o cliente assina um
formulário de consentimento.
O Fleury oferece um serviço de
aconselhamento pré-teste para
esclarecer o método usado e as
possibilidades de resultado.
Exame de
cariótipo
exame
de MLPA
Microarranjo
de DNA
Método
de Sanger
Sequenciamento
de nova geração
Quando, na década de 1950,
os cientistas identificaram
pela primeira vez os
cromossomos, foi possível
perceber que o número
deles podia mudar de
uma pessoa para outra e
que isso estava ligado a
doenças. É assim, contando
cromossomos, que se
confirma o diagnóstico da
Síndrome de Down, por
exemplo – os portadores
da Síndrome têm três
cromossomos no par 21,
em vez de dois.
Nesse exame, os
médicos buscam em
um trecho específico do
DNA se há duplicação de
genes ou microdeleção,
ou seja, se está faltando
uma parte do gene,
o gene inteiro ou
centenas de genes.
A Síndrome de Williams,
por exemplo, ocorre
por uma microdeleção
no braço longo do
cromossomo 7, o que
leva o portador a ter
problemas cardíacos,
além de alterações faciais
e comportamentais.
A técnica é usada quando
há a suspeita de que o
quadro clínico vem de uma
microdeleção ou duplicação,
mas não se sabe exatamente
onde. Funciona assim:
Nas décadas de 1970
e 1980, os médicos
passaram a sequenciar
qualquer parte do DNA,
ou seja, a identificar os
trechos de letras
(A, T, C e G).
Em casos mais complexos,
o teste utilizado é o
sequenciamento do exoma,
ou seja, do conjunto dos
nossos genes (os cerca de 20
mil trechos do DNA que dão
instruções para o organismo
sintetizar proteínas e
executar suas funções).
Modelo
c a a t g t g c a
23
+
g t t a c a c g t
• O DNA do paciente
é sobreposto a um
DNA modelo e ambos
recebem marcadores em
toda a sua extensão.
• Quando um marcador
se liga no DNA modelo
e não no do paciente,
significa que há um
pedaço faltando.
• Essa ausência é
comparada com bases de
dados e com os pais do
paciente, para saber se o
quadro tem a ver com
o caso clínico ou não.
O teste compara a
sequência de letras de
um trecho específico da
amostra do paciente com
um modelo de referência.
• O DNA do paciente é
extraído dos linfócitos.
• É preciso colher cerca
de 9 ml de sangue.
Modelo
c a a t t g g c a
g t t a a c c g t
Paciente
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Paciente
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g t t a c a c g t
23
• Essa reconstituição é feita
a partir de vários núcleos,
da mesma maneira que
um sistema de torrent
reconstrói um arquivo
digital a partir de vários
outros arquivos iguais.
• O DNA do paciente
é comparado com
um genoma-padrão.
As variantes encontradas
são comparadas com
os bancos de dados
disponíveis, literatura
médica, hipóteses
diagnósticas e o
quadro clínico.
infográfico everton augusto, fábio gomide , luiz felipe monteiro, maíra termero, ricardo gonçalves e sergio scattolini amatucci
Fontes Dr. Wagner A. R. Baratela, coordenador de Genética Médica do Fleury e Dr. Ismael Dale, médico assessor sênior na Biologia Molecular do Fleury
?
O que
nos faz
únicos
Os elementos do
nosso corpo que
nos identificam
Muitos acreditam que o que o fator que
nos torna únicos é nosso DNA. De fato, a
sequência do genoma é específica para
cada pessoa, mas há diversos outros fatores que se sobrepõem ao DNA e que
também nos diferenciam na multidão.
Se você se pergunta o que o faz ser
diferente de todos, ao menos do ponto
por Maíra Termero
40
de vista físico, sua resposta está aqui.
Epigenética
“Os fatores epigenéticos estão literalmente acima do DNA”,
diz Dr. Caio Robledo Quaio, médico geneticista do Fleury.
São chamados assim os processos que não alteram a nossa sequência de DNA, mas aderem-se à cadeia e atuam
no “ligar” e “desligar” dos nossos genes. “Os fatores epigenéticos modificam como as nossas sequências de DNA
serão expressas e modulam os seus efeitos biológicos”, explica Dr. Caio. A ciência ainda está longe de compreender
completamente como o nosso DNA é regulado por esses
processos, mas se sabe que eles são complexos, ora aleatórios, e são diferentes mesmo em gêmeos idênticos, que
apresentam a mesma sequência de DNA. Assim, a mesma
sequência de DNA pode-se expressar de maneira distinta
de uma pessoa para a outra e provocar efeitos completamente diferentes, por exemplo, na estatura, na forma da
face e até mesmo na predisposição a doenças.
Arcada
dentária
Digital
istock
Na medicina legal, a identificação por arcada dentária ainda
tem um uso importante. “O material do dente não decompõe rápido, então, em cadáveres, é o que está mais intacto”,
explica Dr. Antônio José da Rocha, especialista em neurorradiologia do Fleury. A identificação é feita por comparação da
documentação mantida pelos dentistas com a arcada encontrada no cadáver. Além do formato da arcada, ajudam nessa
investigação todas as intervenções odontológicas, como obturações, coroas, prósteses e restaurações. Em alguns casos,
até fotos da pessoa sorrindo podem ajudar.
As marcas que carregamos nas pontas dos dedos são únicas – nem mesmo
gêmeos têm digitais iguais. “As nossas digitais decorrem de ondas de migração
de nossas células epiteliais (da pele) durante o desenvolvimento embrionário. O modo como essas células migram e formam a nossa pele é distinto em
cada indivíduo e é influenciado por diversos fatores genéticos, epigenéticos e
ambientais”, explica Dr. Caio. Registros da utilização delas para identificação
aparecem desde a pré-história. No Ocidente, os estudos de técnicas de reconhecimento das digitais são do século 17. E elas ainda são largamente utilizadas
na identificação oficial: estão em nossos documentos, no controle de ponto
em empresas, nos caixas eletrônicos de bancos, até mesmo em equipamentos
eletrônicos, como notebooks.
Íris e retina
DNA
Os olhos fornecem duas maneiras de identificação. Com a
análise da retina, é feita uma leitura dos desenhos dos vasos sanguíneos dentro do olho, a partir de uma luz pulsada
de baixa intensidade. Já a análise da íris identifica os anéis
coloridos e pontos em volta da pupila, usando luz infravermelha. A íris também pode ser útil no diagnóstico de algumas condições genéticas. A íris de aspecto “estrelado”, por
exemplo, é marca comum na Síndrome de Williams (doença decorrente da deleção de uma região do cromossomo
7), enquanto que a chamada heterocromia da íris (a presença de cores distintas) é muito característica da Síndrome de
Waardenburg (doença associada a outras alterações pigmentares, de pele e cabelo, e à perda de audição).
Marcas
pessoais
istock
Com menos precisão, nossa aparência física também nos
identifica. Já há sistemas de reconhecimento facial sendo desenvolvidos para ajudar a encontrar suspeitos em uma multidão, por exemplo. Tatuagens, manchas e pintas de nascença
ainda são usados como forma de identificação de pessoas,
além de assinaturas, voz e até mesmo a geometria da mão.
44
Quando a identificação por arcada não é possível, entra em
cena o estudo de DNA. “O teste define a identidade de uma
maneira muito segura, além de identificar também a prole,
os familiares”, lembra Dr. Antônio. A medicina forense acumula histórias de crimes solucionados a partir de testes de
DNA. O primeiro caso em que o DNA foi aceito na Justiça
como evidência de um crime foi o de Leicester. Com o exame, foi possível identificar o autor dos estupros seguidos de
mortes de duas adolescentes no condado de Leicester, no
Reino Unido, nos anos 1980. Desde então, o teste ficou mais
barato e seguro. Seu uso permitiu até mesmo a conclusão
de casos antigos, libertando inocentes que estavam presos
ou condenando criminosos que estavam soltos. Em 2009,
por exemplo, o serial killer de Los Angeles John Thomas Jr.
foi preso acusado de violentar e matar duas idosas nos anos
1970. Seu DNA havia sido encontrado nas cenas dos crimes,
mas não havia tecnologia para comparar o material recolhido. Mais recentemente, as vítimas do acidente com o voo
AF 447 da Air France foram identificadas com sucesso com
o uso de DNA extraído dos ossos.
A história também se beneficiou dessa técnica. Um pesquisador da Universidade de Gales, Jan Bondenson, reuniu
em seu livro Os grandes impostores os maiores mistérios de
identidade históricos que puderam ser esclarecidos com o
avanço da ciência, principalmente com os testes genéticos.
Em uma das histórias, o suposto príncipe herdeiro da família real de Baden, o jovem Karpar Houser, foi desmascarado a partir do DNA. Uma mancha de sangue em uma roupa
guardada em um museu alemão foi comparada ao DNA da
realeza de Baden e comprovou-se que eles não têm relação.
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enganam
As
aparências
46
As
aparências
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por Bruna Fontes
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Gêmeos idênticos parecem destinados a ter uma só idencom sua
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tidade. Quando um óvulo fecundado se divide em duas
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partes iguais, os irmãos univitelinos ganham os mesmos
até doença xperiêncaia de vida
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genes e crescem lado a lado no útero. Ao nascer, passam
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pelas mesmas experiências de vida: são tratados pelos oude acordo c
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tros como se fossem um só, brincam juntos, compartilham
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o cardápio de casa e, não raro, estudam na mesma classe.
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Mesmo quando crescem separados, os gêmeos podem guardar muitas semelhanças nos hábitos e trejeitos,
como demonstra um caso famoso nos Estados Unidos,
o dos irmãos Jim Springer e Jim Lewis. Nascidos em 1939,
eles foram colocados para adoção ainda bebês. Os dois
nunca haviam se visto até se reencontrarem aos 39 anos e
perceberem que quase não havia diferenças entre eles. Tinham o mesmo peso e altura, casaram-se pela primeira vez
com mulheres chamadas Linda – e pela segunda com duas
Bettys – e deram o mesmo nome aos filhos e aos cachorros.
Os dois trabalharam como xerifes, sofriam com fortes
dores de cabeça, roíam as unhas, gostavam de fazer carpintaria em casa, tomar a mesma marca de cerveja e fumar
o mesmo cigarro. Uma professora de psicologia da equipe
que estudou o caso afirmava que, mesmo após tanta convivência com a dupla, não conseguia lembrar quem era quem.
“Algumas semelhanças são herança genética e não apenas
uma coincidência. É normal que elas ocorram em indivíduos
que têm o mesmo DNA”, comenta Dr. Wagner Antonio da
Rosa Baratela, coordenador de Genética Médica do Fleury.
Um olhar mais aprofundado sobre os gêmeos univitelinos, porém, revela que eles nem sempre são tão iguais
quanto sua aparência sugere. As diferenças podem começar
ainda na gestação. “Gêmeos que dividem a mesma placenta podem receber quantidades diferentes de sangue. Pode
ocorrer do feto que recebe menos sangue ganhar menos
peso”, esclarece Dr. Mário H. Burlacchini de Carvalho, coordenador de Medicina Fetal do Fleury. Por isso, vale alertar, o
cuidado deve ser redobrado. “A gestação gemelar é um motivo de felicidade para a família, mas a gestante precisa de um
acompanhamento pré-natal cuidadoso. Se os gêmeos forem
univitelinos de uma placenta só, é necessário um acompanhamento ultrassonográfico seriado”, explica Dr. Mário.
kriz knack
pode ser definida com os bebês ainda no útero, mas também
se manifesta em cada um de modo diferente.
Apesar de terem pais diabéticos, apenas um dos gêmeos
Jorge e Silvio Naslauski, ambos com 63 anos, tem a doença.
Silvio é diabético, enquanto Jorge foi diagnosticado em estado de pré-diabetes. “Acho que a diferença está nos nossos
estilos de vida”, afirma Silvio. Os dois têm o mesmo tipo físico
e desde cedo adotaram a natação como esporte predileto –
a diferença é que Silvio abandonou a atividade aos 15 anos
e só voltou a cair na água aos 45. “Meu irmão sempre fez
esportes e levou uma vida mais saudável. Eu mesmo voltei a
nadar por insistência dele”, diz. Hoje, os dois competem em
provas no litoral paulista, e Jorge garante que ainda têm desempenhos semelhantes. “Até hoje somos muito parecidos
em quase tudo, só divergimos em política”, comenta.
arquivo pessoal
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Se do ponto de vista genético os gêmeos são clones, no
dia a dia eles não querem ser tratados como tais. “Eu e minha irmã gêmea não temos nada de igual”, afirma, enfaticamente, a representante de vendas Luciane Thomaz, 30 anos.
De modo mais suave, sua irmã, a jornalista Viviane Thomaz,
concorda. “A Lu anda sempre arrumada, é super carnívora
e, quando algo incomoda, ela fala na cara. Eu só uso calça
jeans, não como carne há anos e sou mais ponderada”,
define. Na saúde, elas também têm suas diferenças. Viviane já
teve 13 miomas, enquanto Luciane não teve nenhum até hoje.
Como elas, nem todos os irmãos gêmeos têm as mesmas doenças, mesmo que tenham predisposição genética
a elas, nem a mesma personalidade. “Gêmeos univitelinos
têm o mesmo código genético, mas ainda assim podem
apresentar diferenças físicas e de comportamento”, explica
Dr. Javier Miguelez, obstetra e assessor médico do Serviço
de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde. Isso acontece porque o comportamento dos genes é imprevisível, bem
como sua interação com fatores ambientais, ou seja, relacionados à experiência de cada pessoa, como sua alimentação, o tabagismo e a exposição a infecções.
Alguns transtornos psiquiátricos graves, como autismo e
esquizofrenia, têm um componente genético mais forte, por
isso se manifestam nos dois gêmeos. Ainda assim, diferenças nos fatores ambientais podem fazer com que sua gravidade seja sentida em intensidades diferentes em cada irmão.
A predisposição a ter problemas crônicos, como hipertensão,
48
Diferenciar desde a infância
Ressaltar as diferenças é importante para que cada irmão
descubra uma identidade própria. Em vez de oferecer sempre a mesma solução para os dois, os pais devem escutar
as demandas de cada filho. “Se o gêmeo não for entendido
como um indivíduo, crescerá com a sensação de estar fora
de lugar”, diz a psicanalista Nádia Chaguri Dimitrov, orientadora educacional por 30 anos e avó de gêmeos fraternos.
Por terem personalidades diferentes, gêmeos univitelinos não gostam de ser confundidos. “Quando era criança,
ficava bem irritada quando isso acontecia. É chato ter de
corrigir as pessoas o tempo todo”, afirma Luciane. “Gêmeos
gostam de ser parecidos e de brincar com isso, mas ficam
mal quando não são distinguidos”, diz Nádia. Por isso, os
pais devem resistir à comodidade de vestir os gêmeos da
mesma maneira ou de colocá-los na mesma classe na escola. “Em classes separadas, eles saem da zona de conforto
proporcionada pela cumplicidade e ampliam seus horizontes”, diz a psicanalista.
Jorge conta que, na infância, estudou na mesma classe de
Silvio, mas se incomodava por serem tratados como “os gêmeos”. A não ser, claro, quando a semelhança podia ajudá-lo a ir bem em matemática, ponto forte do irmão. “De vez
em quando ele fazia a prova no meu lugar”, conta Jorge, que
curiosamente se formou em Economia, enquanto Silvio se
graduou em Publicidade e Propaganda. Mas, quando ele repetiu de ano, cada um foi para uma escola – uma experiência
que Silvio achou positiva. “Nossa individualidade começou a
ser reforçada. Pararam de achar que éramos uma pessoa só.”
endereços
surpreender é
São Paulo – Capital
Unidade Braz Leme
Av. Braz Leme, 2.011 – Santana
Acesso pela ponte da Casa Verde
Sentido centro/bairro, lado esquerdo
Unidade Campo Belo
Av. Vereador José Diniz, 3.457, 2o andar
– Campo Belo Medical Center
Continuação da Av. Ibirapuera,
esquina com a R. Pascal.
Unidade Chácara Klabin
Av. Pref. Fábio Prado, 538 – Chácara Klabin
Próxima à estação de metrô Imigrantes
(Linha 2 – Verde).
Unidade Higienópolis
R. Mato Grosso, 306
1a sobreloja – Higienópolis
Localizada no Higienópolis Medical Center,
atrás do Cemitério da Consolação,
altura do 1.800 da R. da Consolação.
Unidade Itaim
Av. Juscelino Kubitschek, 1.117 – Itaim Bibi
Próxima à esquina da Av. Juscelino Kubitschek
com a R. Atílio Inocenti. A Unidade fica perto
da Av. Faria Lima.
Unidade Jardim América
Av. Brasil, 1.891 – Jd. América
Sentido Pinheiros/Ibirapuera: lado direito
Próxima à R. Gabriel Monteiro da Silva.
Unidade Oscar Americano
R. Eng. Oscar Americano, 163 –
Cidade Jardim. Saída do túnel Presidente Jânio
Quadros, sentido Av. Juscelino Kubitschek/
Morumbi. Em frente ao Parque Alfredo Volpi.
Unidade Paraíso
R. Cincinato Braga, 282 – Bela Vista
Paralela à Av. Paulista, altura do no 200
(Hospital Santa Catarina)
Próxima à estação de metrô
Brigadeiro (Linha 2 – Verde).
Nem tudo é aquilo o que parece ser. Brincando com as aparências e com as ilusões
visuais, a fotógrafa sergipana Mônica Flávia venceu o concurso O Futuro a Gente Faz
Agora!, promovido pelo Planeta Sustentável, com a foto “Olho”. A imagem, que chama
a atenção para o desperdício da água, também fez parte de uma exposição em que
pregadores de varal e outros detalhes de objetos comuns eram registrados por um
ângulo inusitado, pedindo um novo olhar sobre as coisas.
50
Unidade Ponte Estaiada
Av. Jornalista Roberto Marinho,85,
Térreo – Brooklin
Edifício Tower Bridge Corporate
Próxima à Ponte Estaiada, ao lado do Hilton,
acesso único pela Av. Roberto Marinho
(não há acesso pela Av. das Nações Unidas)
No mesmo prédio, no 1º andar, funciona o
Centro Integrado Cardiológico e Neurovascular
República do Líbano I
Av. República do Líbano, 635
NOVA
Centro Diagnóstico Avançado da Mulher
(República do Líbano II)
Av. República do Líbano, 561
República do Líbano III
Av. República do Líbano, 990
Unidade Rochaverá-Morumbi
Avenida Doutor Chucri Zaidan, 1.170, Vila Cordeiro
A unidade fica dentro do Edíficio Rochaverá
Corporate Towers, ao lado dos shoppings
Morumbi e Market Place e paralela à
Av. das Nações Unidas.
Unidade Sumaré
Av. Sumaré, 1.270 – Perdizes
Sentido Barra Funda/Pinheiros
No quarteirão entre as ruas Wanderley
e Ministro Gastão Mesquita
Próxima ao Bradesco.
Unidade Shopping Anália Franco
Shopping Anália Franco loja 37E, piso Acácia
Av. Regente Feijó, 1.739
Até as 10 horas, entrada somente pela
Av. Regente Feijó Ao lado do Ceret (Centro
Esportivo e Recreativo do Trabalhador)
Próxima ao início da Av. Eduardo Cotching
A Av. Regente Feijó começa na Av. Salim Farah
Maluf (na altura do Cemitério da Quarta Parada).
NOVO ESPAÇO
Unidade Shopping Jardim Sul
Shopping Jardim Sul – loja 206 A
piso 1 – Vl. Andrade
Av. Giovanni Gronchi, 5.819
Em frente ao Carrefour.
Unidade Villa–Lobos
R. Castro Delgado, 188 – Alto de Pinheiros
Pista local da Av. das Nações Unidas,
sentido Santo Amaro/Ceagesp
Entre as pontes Cidade Universitária e Jaguaré
Quinta travessa à direita, após a ponte
Cidade Universitária.
Outros Municípios
Unidade Alphaville
Al. Araguaia, 2.400 Barueri – SP
(entrada pela Av. Sylvio Honório Álvares
Penteado nova R. Projetada)
Próximo ao Sam’s Club, Walmart
A 900m do Shopping Tamboré.
Unidade Santo André
Av. D. Pedro II, 1.313 – Jd. Santo André
Próxima ao Parque Celso Daniel
(antigo Parque Duque de Caxias).
Entrada lateral pela R. das Aroeiras.
Unidade Campinas
Av. Aquidabã, 747 – Centro
Em frente à Microcamp, próxima
ao Bosque dos Jequitibás.
Unidade Granja Viana
R. José Felix Oliveira, 838 – Granja Viana, Cotia – SP
Entre a Cultura Inglesa e o Hospital São Camilo
Acesso pelo km 24 da Rod. Raposo Tavares.
Unidade São Bernardo do Campo
Av. Professor Lucas Nogueira Garcez, 666 – Centro
Seguindo pela Rod. Anchieta no sentido São Paulo/
Santos, utilizar a saída 18B. Ao final do viaduto,
manter-se à direita, no sentido centro de São
Bernardo do Campo. Seguir pela Av. Professor
Lucas Nogueira Garcez (sentido bairro/centro)
até visualizar a Unidade do outro lado da avenida,
ao lado do Pavilhão Vera Cruz. Entrar à direita
na R. Banda e fazer o contorno à esquerda até
cruzar a Av. Professor Lucas Nogueira Garcez.
A unidade fica em frente à Igreja Santíssima Virgem
e a uma concessionária da Toyota.
Unidade Jundiaí
Av. Antônio Segre, 447 – Jd. Brasil
Próxima ao Shopping Paineiras
Na rua do Sesi. Anhanguera no sentido
interior/capital: acesso pela Av. Jundiaí.
Outros Estados
Unidade Brasília – DF
SEPS EQ 715/915, conjunto A, bloco D, sala 501,
Centro Clínico Pacini, Edifício Pacini, Asa Sul
Ao lado do Hospital São Lucas.
Atendimento Móvel
Serviço disponível nas cidades nas quais o
Fleury tem unidade e também em localidades
como Osasco, Cotia, Diadema, Santos, São
Caetano, Jacareí, São José dos Campos e
Sorocaba, entre outras. Para mais informações,
consulte www.fleury.com.br/exames-e-servicos
ou entre em contato com a nossa Central
de Atendimento ao Cliente.
Central de Atendimento
ao Cliente
São Paulo e localidades com DDD (11):
3179-0822 ou 30-FLEURY
Outras localidades: 0800-704-0822
www.fleury.com.br/unidades
Toda mulher é única.
Não faria sentido cuidar
delas de outra forma.
Centro Diagnóstico Avançado da Mulher.
O Centro Diagnóstico Avançado da Mulher possui serviços
multidisciplinares para a realização de todos os exames femininos em
sequência e em um curto espaço de tempo. E conta com uma equipe
especializada que deixa as mulheres se sentindo em casa.
Centro Diagnóstico Avançado da Mulher – República do Líbano II
Av. República do Líbano, 561, Ibirapuera, São Paulo
www.fleury.com.br
FleuryMedicinaeSaude
Fleury_online
Central de Atendimento: 0800-704-0822
Grande São Paulo: (11) 3179-0822
Responsável Técnico Fleury:
Dr. Edgar Gil Rizzatti – CRM-SP 94.199
Fleury.
Um centro
de referência
em você.

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